
Marketing para indústria é o trabalho de fazer a empresa ser lembrada e encontrada por compradores técnicos antes de eles pedirem cotação. Em Curitiba e na Região Metropolitana, isso combina LinkedIn para alcançar decisores, Google Ads para termos técnicos, conteúdo e catálogo úteis, presença em feiras e um CRM que entrega cada contato ao comercial ou ao representante certo.
Quem vende para outra empresa conhece a cena. O comprador some por três meses, volta pedindo revisão de orçamento, envolve a engenharia, depois o financeiro, e no fim fecha com quem já estava na lista dele desde o começo. Em muitas indústrias da CIC, de São José dos Pinhais ou de Araucária, o marketing ainda é “fazer o Instagram” ou “montar o estande da feira”, e o comercial segue dependendo de indicação.
Este guia mostra quais canais usar, como falar com quem decide, como conectar marketing e comercial e como medir o que importa: pedido fechado.
O tamanho da indústria em Curitiba e no Paraná
Antes de falar de canal, vale entender o tamanho do mercado. Segundo dados da Fiep divulgados no Dia da Indústria de 2026 e reunidos pela jornalista Mirian Gasparin, a indústria paranaense:
- gera um PIB de R$ 184,3 bilhões por ano, o equivalente a 28,3% da economia do estado;
- responde por 7,2% do PIB industrial do Brasil;
- emprega mais de 1,1 milhão de pessoas de forma direta;
- reúne mais de 80 mil indústrias;
- tem cerca de 70% do emprego formal concentrado em alimentos, construção, vestuário, metalmecânica e madeira.
Curitiba e a Região Metropolitana são o centro dessa força. A Cidade Industrial de Curitiba (CIC) tem 43 km² e quase 20 mil empresas, que geram cerca de 80 mil empregos diretos e indiretos, segundo a Associação das Empresas da Cidade Industrial em reportagem da BandNews FM Curitiba de 2023. Na mesma região estão fábricas como Volvo, Bosch e Caterpillar na CIC, Renault e Electrolux em São José dos Pinhais e Caterpillar em Campo Largo, como mostra levantamento do Bem Paraná de 2026.
Para quem fornece para essa cadeia (usinagem, embalagens, automação, componentes, manutenção, logística), isso significa muito comprador perto e muito concorrente disputando o mesmo comprador.
O momento também pede atenção. Pelos dados do IBGE, a produção industrial do Paraná fechou 2025 com alta de 0,3%, abaixo da média nacional de 0,6%. Em ano de crescimento modesto, o pedido não cai no colo. Quem é lembrado primeiro leva vantagem.
Por que marketing industrial é diferente do varejo
Marketing industrial é o conjunto de ações para gerar demanda e sustentar vendas entre empresas, quando o produto é técnico, o ticket é alto e a decisão envolve várias pessoas. Três características mudam tudo:
A decisão é de um grupo, não de uma pessoa
Pesquisa do Google com a Bain, citada no Think with Google, aponta que os comitês de compra B2B têm em média 17 pessoas de áreas diferentes. Na indústria isso é bem real: engenharia avalia especificação, suprimentos compara preço e prazo, qualidade exige certificação, diretoria aprova o investimento.
A lista de fornecedores já existe antes do contato
O mesmo material do Google mostra que 92% dos compradores B2B já têm uma lista curta de fornecedores preferidos antes de começar o processo. Marketing para indústria, no fundo, é o trabalho de entrar nessa lista antes da cotação.
A maioria das empresas não está comprando agora
O B2B Institute do LinkedIn, com base em estudos do Ehrenberg-Bass Institute, popularizou a regra 95-5: em qualquer momento, cerca de 95% dos potenciais compradores não estão prontos para comprar. Eles vão estar no futuro. Quem só investe em capturar pedido de orçamento briga pelos mesmos 5% que todo mundo disputa e esquece os outros 95%.
E o comprador quer resolver muita coisa sozinho. Segundo a Gartner, 75% dos compradores B2B preferem uma experiência de compra sem vendedor. Mas a mesma pesquisa mostra que eles têm 1,8 vez mais chance de fechar um negócio de qualidade quando usam ferramentas digitais do fornecedor junto com um vendedor. O conteúdo não substitui o comercial, prepara o terreno para ele.
Os canais que funcionam para gerar demanda B2B na indústria
Não existe canal mágico, existe a combinação certa para o seu produto e o seu cliente.
LinkedIn: onde estão os decisores
O LinkedIn é o principal canal para alcançar decisores. Os anúncios permitem segmentar por cargo, empresa, setor e senioridade, e também subir uma lista de empresas-alvo. Para uma indústria com algumas centenas de clientes possíveis na Grande Curitiba, isso muda o jogo.
Como usar bem:
- Página da empresa ativa, com bastidores da fábrica, projetos entregues (com autorização) e equipe técnica aparecendo.
- Perfil dos sócios e engenheiros publicando, porque gente gera mais conversa do que logo.
- Anúncios para lista de contas, com conteúdo útil para cada etapa, e não só “solicite orçamento”.
Detalhamos isso no artigo sobre LinkedIn para empresas B2B.
Google Ads para termos técnicos
Quando o comprador já tem uma necessidade, ele pesquisa. E pesquisa de forma técnica: “usinagem CNC peças sob desenho Curitiba”, “fornecedor de embalagem para indústria alimentícia”, “manutenção de compressor industrial RMC”. Essas buscas têm volume baixo, mas intenção altíssima.
Boas práticas para indústria:
- Use correspondência de frase e exata para termos técnicos, evitando que o anúncio apareça para quem procura curso, emprego ou peça usada.
- Monte uma lista forte de palavras-chave negativas, recurso que serve justamente para excluir pesquisas irrelevantes. Em indústria, termos como “vaga”, “curso”, “o que é” e “PDF grátis” costumam desperdiçar verba.
- Leve cada grupo de anúncio para uma página específica daquele produto ou serviço, com especificação técnica, aplicações e certificações.
- Meça conversão como pedido de cotação qualificado, e não só como clique.
A gente aprofunda esse tema no artigo sobre tráfego pago B2B para indústria.
Feiras e rodadas de negócio
Feira continua importante, o que muda é como ela é usada. Na Expo+Indústria 2026, realizada pelo Sebrae/PR e pela Fiep no Expotrade, em Pinhais, a rodada de negócios do setor metalmecânico reuniu 30 fornecedoras e 13 compradoras, com expectativa de R$ 2,47 milhões em negócios, segundo a Agência Sebrae.
Para a feira render além dos três dias:
- Antes: anuncie no LinkedIn para as contas que você quer encontrar e agende reuniões.
- Durante: registre cada contato no CRM no mesmo dia, com interesse e próximo passo. Grave conteúdo no estande.
- Depois: faça follow-up em até uma semana e use o material gravado em anúncios de remarketing para quem visitou o estande.
Conteúdo técnico e vídeo
Comprador técnico consome conteúdo técnico. O mesmo material do Think with Google cita relatório da Gartner segundo o qual 65% dos compradores B2B foram influenciados pelo YouTube numa decisão de compra recente.
Conteúdos que funcionam bem para indústria:
- Vídeo mostrando o processo produtivo e o controle de qualidade.
- Comparativos técnicos (“quando usar aço inox 304 ou 316”, por exemplo, se for o seu mercado).
- Casos de aplicação com o problema do cliente, a solução e o resultado.
- Respostas para as dúvidas que o comercial ouve toda semana.
Aqui a produção faz diferença: vídeo com luz ruim e áudio de máquina passa descuido. A gente grava no nosso estúdio em Curitiba e também vai até a planta quando o conteúdo pede chão de fábrica.
Catálogo, site e materiais de venda
O catálogo ainda é a peça que o comprador industrial mais pede, e muita indústria tem um PDF antigo que ninguém atualiza. Catálogo bom é:
- Navegável no site, com uma página por linha de produto, que o Google consegue ler e o comprador consegue compartilhar com a engenharia.
- Com ficha técnica completa: dimensões, normas, materiais, tolerâncias, prazos.
- Com versão em PDF para quem precisa anexar no processo interno de compra.
- Com chamada clara para pedir cotação, falar com engenharia ou com o representante da região.
O site precisa servir a todo o comitê: o engenheiro quer especificação, o comprador quer prazo e condição, o diretor quer saber quem você atende.
Integração com o comercial e com os representantes
É aqui que a maior parte do marketing industrial falha: o marketing gera o contato, manda para o comercial, e ninguém sabe o que aconteceu depois.
O Panorama de Marketing e Vendas da RD Station mostra o tamanho do problema: só 16% das empresas consideram satisfatória a integração entre marketing e vendas, 62% trabalham sem SLA definido entre as áreas e 52% dizem que vendas ignora o histórico dos leads.
Para indústria, que muitas vezes vende por representantes comerciais em diferentes regiões, a integração precisa de regras claras:
- Definição de lead qualificado combinada entre marketing e comercial (porte, segmento, aplicação, prazo).
- Roteamento por região ou linha de produto, para que o contato de Ponta Grossa vá para o representante de lá e o de Joinville para o de Santa Catarina.
- Prazo de resposta acordado, e acompanhado.
- Retorno do comercial para o marketing: o que fechou, o que perdeu e por quê.
- Material de apoio para o representante: apresentação atualizada, catálogo, vídeos e cases.
Escrevemos mais sobre isso em marketing e vendas alinhados.
CRM: onde a demanda vira pedido
CRM é o sistema onde ficam registrados contatos, oportunidades e negociações. Na indústria, é o que permite acompanhar um ciclo de venda de meses sem perder o fio. Com ele bem configurado, você consegue:
- Saber de qual canal veio cada oportunidade (LinkedIn, Google, feira, indicação, representante).
- Ver em que etapa está cada negociação e quanto tempo ela fica parada.
- Calcular o custo por oportunidade e por pedido de cada canal.
- Nutrir quem ainda não está pronto para comprar, em vez de descartar.
- Medir a performance de cada representante com dados, e não com impressão.
Qual canal usar em cada etapa da jornada B2B
| Etapa | Objetivo | Canais principais |
|---|---|---|
| Antes da necessidade (os 95%) | Ser lembrado e entrar na lista curta | LinkedIn (página, sócios e anúncios para contas-alvo), vídeo e conteúdo técnico |
| Pesquisa e especificação | Ser encontrado e ajudar a engenharia a avaliar | Google Ads com termos técnicos, site com páginas por linha de produto, catálogo e ficha técnica |
| Cotação e negociação | Responder rápido e convencer o comitê | CRM, comercial e representantes, cases de aplicação, apresentação atualizada |
| Feiras e rodadas | Encontrar contas-alvo pessoalmente | Agendamento prévio pelo LinkedIn, registro no CRM, follow-up e remarketing |
| Pós-venda e recompra | Manter o cliente e abrir novas linhas | Nutrição pelo CRM, conteúdo técnico e contato do representante |
Plano de 90 dias para começar
Se a sua indústria parte quase do zero, este é um caminho realista:
- Semanas 1 e 2: entrevistar o comercial e os representantes, listar as dúvidas mais comuns e definir as contas-alvo.
- Semanas 3 e 4: revisar o site e criar páginas por linha de produto, com ficha técnica e chamada para cotação.
- Semanas 5 e 6: configurar o CRM, a definição de lead qualificado e o roteamento para comercial e representantes.
- Semanas 7 e 8: iniciar Google Ads com termos técnicos e lista de negativas.
- Semanas 9 a 12: ativar LinkedIn (página, perfis dos sócios e anúncios para contas), gravar os primeiros vídeos técnicos e fazer a primeira reunião de resultado com o comercial.
Erros comuns no marketing para indústria
- Tratar indústria como varejo, com post de data comemorativa e promoção, em vez de conteúdo técnico.
- Medir clique e curtida em vez de oportunidade e pedido.
- Deixar o representante de fora do processo e da informação.
- Esconder a fábrica e as pessoas. Indústria tem história, equipe e processo que geram confiança. Mostrar isso é diferencial.
- Desligar tudo em mês fraco. Com ciclo longo, parar o marketing hoje esvazia o funil de daqui a seis meses.
Checklist: sua indústria está pronta para gerar demanda B2B?
- Tenho uma lista de contas-alvo definida com o comercial.
- Meu site tem uma página para cada linha de produto, com ficha técnica.
- Meu catálogo está atualizado e disponível online e em PDF.
- Apareço no Google para os termos técnicos que meus clientes pesquisam.
- Minha empresa e meus sócios publicam no LinkedIn com frequência.
- Todo contato entra num CRM com origem registrada.
- Marketing e comercial combinaram o que é lead qualificado.
- Os representantes recebem os contatos da sua região e dão retorno.
- Sei quanto custa uma oportunidade em cada canal.
Perguntas frequentes
O que é marketing para indústria?
Marketing para indústria é o conjunto de ações para gerar demanda e apoiar vendas entre empresas quando o produto é técnico e a decisão envolve várias pessoas. Inclui conteúdo técnico, LinkedIn, Google Ads, catálogo, feiras e integração com o comercial por meio de um CRM.
LinkedIn funciona para indústria pequena?
Funciona, principalmente quando os sócios e a equipe técnica aparecem. Os anúncios permitem segmentar por cargo, setor e empresa, então mesmo com verba pequena dá para focar nas contas que realmente interessam.
Google Ads vale a pena para produto industrial?
Vale quando você escolhe termos técnicos com intenção de compra e cuida bem das palavras-chave negativas. O volume de buscas costuma ser baixo, mas cada contato tende a ter valor alto.
Quanto tempo leva para o marketing industrial trazer resultado?
Depende do ciclo de venda do seu produto. Ações como Google Ads podem gerar contatos em semanas, enquanto LinkedIn e conteúdo constroem lembrança ao longo de meses. Por isso o ideal é rodar os dois ao mesmo tempo.
Como integrar marketing e representantes comerciais?
Defina o que é lead qualificado, distribua os contatos por região ou linha de produto pelo CRM, combine prazo de resposta e peça retorno sobre o que fechou e o que perdeu. Dê ao representante material atualizado para usar na visita.
Fale com a Akae
O Grupo Akae, agência em Curitiba, trabalha com marcas como Cassol, Sicredi e Heime, e gosta de projetos em que marketing e comercial sentam na mesma mesa. Se a sua indústria quer parar de depender só de indicação, a gente pode começar por uma conversa sobre o seu ciclo de venda, seus representantes e o que já funciona.
Conheça nosso trabalho de tráfego pago ou chame a gente pela página de contato. Se preferir, venha conhecer o estúdio na Rua Alberto Folloni, sala 7, no Ahú. Café tem.
Humanidade que performa.
Fontes e referências
- Mirian Gasparin, Setor industrial paranaense reforça protagonismo econômico e social no Dia Nacional da Indústria (dados Fiep, 2026)
- BandNews FM Curitiba, CIC concentra mais de 20 mil empresas (2023)
- Bem Paraná, Oito fábricas que movimentam bilhões e geram milhares de empregos na Grande Curitiba (2026)
- Agência de Notícias IBGE, Produção industrial fecha 2025 com avanço em 10 dos 18 locais pesquisados
- Think with Google, B2B marketing: connecting with new and existing business buyers
- LinkedIn B2B Institute, The 95-5 Rule
- Gartner, The B2B Buying Journey
- Ajuda do Google Ads, Sobre as palavras-chave negativas
- Agência Sebrae PR, Rodada metalmecânica projeta R$ 2,47 milhões em negócios na Expo+Indústria 2026
- RD Station, Panoramas de Marketing e Vendas

